4 passos para dividir suas contas pessoais e empresariais

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É mais normal do que você pode imaginar. Uma pequena empresa é aberta, o faturamento começa a crescer e na primeira oportunidade, o dinheiro das contas pessoais saem do bolso de quem empreende e vai pra cobrir um mês da planilha empresarial. Logo adiante, numa alta de movimento, saem valores da empresa para cobrir o cartão de crédito ou pra pagar o condomínio. Muita calma nessa hora.

Um dos principais desafios dos negócios de pequeno porte é esta divisão – antes de praticar cálculos separados, muitos ignoram a importância dessa ação. Este rigor é fundamental para a vida da sua empresa, e das suas contas pessoais também. Ainda não se convenceu? Bem, devemos dar a dura notícia: misturar as contas pessoais com a de sua empresa pode lhe gerar problemas com a Receita Federal.

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1. Abra uma conta empresarial

Sabemos que é possível se organizar muito bem, criar cem planilhas e começar uma rigidez da noite para o dia, mas convenhamos: na nossa rotina atual, é melhor começar devagar e fazer o simples.

Por isso, separe definitivamente suas contas. Criar uma conta para sua empresa é um dos registros de compromisso com a saúde financeira dela. E agora, com as contas digitais empresariais, ter controle pela internet é fácil e com custo baixo. Basta vontade e um pouco de disciplina.

Saiba mais: como criar fluxo de caixa na sua empresa.

2. Passe o cadeado na conta da empresa

Você sabe como pagará as contas pessoais do próximo mês? Está em tranquilo pois, qualquer coisa, você tira dinheiro da empresa para não deixar atrasar o boleto? Errado.

Lealdade a seu caixa é mais importante que constantes insights de marketing ou planos de futuro com a empresa. Seu negócio vive do dinheiro que tem hoje, é um planejamento diário. Você deve saber como irá pagar as contas do mês que vem, até que data e de como este custo será coberto. Confie, não dará errado. E, por consequência, você utilizará estes métodos com as contas pessoais também.

Gostou desse trecho? Clique aqui e aprenda o que é PRO-LABORE, o salário do empreendedor.

3. Eduque quem anda com você

Sua empresa nunca será apenas você. Sócios e familiares necessitam comprar sua ideia para que este plano dê certo. Estabeleça critérios de gasto com teto e seja a ponta da lança deste controle. Conhecemos várias histórias de cartão empresarial estourando por aí. Já pensou se sua empresa é mais uma da lista?  Sua empresa não pode ser fundo de reservas, ela é fonte de ganhos.

4. Tenha uma contabilidade empresarial

Quem possui empresa de micro e pequeno porte, precisa se virar nos trinta. Se você chegou até aqui e enquanto lê, pensa: “nossa, jamais terei esta cabeça para números”, saiba que existem profissionais de contabilidade que são preparados para te ajudar nisso tudo.

A contabilidade te ajuda a organizar suas informações financeiras e lhe cobra o que for necessário para manter a saúde da sua empresa, pode ter certeza. Todas as notas de entrada e saída, impostos, registros, tudo passa pelo escritório. Fora a burocracia, que também entra nesta conta.

Gostou deste trecho? Então conheça a opção de contabilidade digital da ContaÁgil, feita especialmente para micro e pequenas empresas.

Lucros ou Dividendos? Conheça mais sobre o pró-Labore, as condições da retirada e as diferenças em relação a distribuição de dividendos.

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Primeiro vamos entender o que é pró-labore: O sócio que trabalha pela empresa (sócio administrador) tem direito a um salário, uma remuneração por este serviço. É através dele que o empresário pode, por exemplo, contribuir para a previdência.

A lei não determina um valor específico, cabendo aos sócios determinarem o valor do pró-labore, bem como sua redução ou majoração (Art.152 da Lei 6.404/76). A única regra quanto aos valores é que o pró-labore não pode ser inferior ao valor do salário mínimo vigente.

Distribuição de Lucros ou Dividendos

Depois de você ter pago todas as despesas da sua empresa, impostos, pró-labore, o que sobrar é considerado “lucro” e você pode transferir para sua conta de pessoa física, sem a incidência de impostos – esta é a distribuição dos lucros. Ela é calculada anualmente, no fechamento do balanço e posteriormente distribuída aos sócios, de acordo com a participação deles no capital social ou algum outro acordo entre as partes.

É obrigatória a retirada do Pró-Labore?
Sim, é obrigatória – o sócio administrador ou cotista, titular de empresa individual ou EIRELI que trabalham na sociedade é classificado como “contribuinte obrigatório” da Previdência Social. (Art.12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991) e sobre esta remuneração deve ser recolhido a contribuição previdenciária.

Como deve ser realizado o pagamento?
A forma mais segura de se retirar o pró labore é através de transferência bancária da conta corrente da empresa para a conta corrente do sócio. Não é aconselhado realizar uma única transferência de pró-labore e a distribuição antecipada de lucros – sempre faça duas transferências separadas.

Posso apenas retirar Distribuição de Lucros e não retirar Pró-labore?
Quando a empresa está no início da vida, a falta de estabilidade financeira muitas vezes gera essa dúvida: E, em resposta simples: não é permitido pela lei realizar apenas a distribuição antecipada de lucros.
Em caso de retirada apenas da distribuição dos lucros, todo o valor retirado como lucro será considerado pró-labore, e se calcula o INSS para recolhimento da GPS, nos valores baixo explicados. (Decreto 3.048 de 1999 art.201 e IN 971 nº 13/2009).

Quando retirar Pró-Labore?
Ele deve ser retirado conforme definição dos sócios e/ou contrato social.
A legislação não estabelece a periodicidade de retirada, mas não pode existir, nenhum outro pagamento ou benefício deverá ser pago ao sócio ou titular da empresa caso não for retirado o pró-labore em um mês.
O pró-labore só deve ser pago a partir do momento em que há faturamento na empresa. Se você abriu a empresa em janeiro, mas só passou a faturar em junho, o pagamento do pró-labore só deve acontecer a partir de junho apenas (COSIT 120 de 17/08/2016).

Impostos sobre o Pró-Labore
Cadastrando o pró-labore, o contador deve gerar uma guia GPS (Guia de Previdência Social), que, para os clientes da Contabilizei ficará disponível na plataforma todos os meses – e é através da GPS que você irá pagar o valor referente à sua contribuição ao INSS.
Os valores são os seguintes:

– Para empresas no Simples Nacional:
· Custo para a Empresa: Não existe contribuição patronal, ou seja, sem custo para empresa.
· Custo para o Sócio: Será retido na fonte ou deduzido do valor bruto 11% de INSS e o IR de acordo com a tabela progressiva da Receita Federal.
OBS: Empresas com atividades enquadradas no Anexo IV do Simples Nacional, estão obrigadas ao recolhimento do INSS patronal (20%) através da GPS em conjunto com a parte descontado (11% no caso de sócios). Este entendimento baseia-se na Lei Complementar n° 147/14 para as empresas enquadradas no anexo IV da LC n° 123/06 que estão obrigadas ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal previsto no artigo 22 da Lei n° 8.212/91.

– Para empresas do Lucro Presumido:
· Custo para a Empresa: Encargos Sociais de 20% sobre o valor do Pró-Labore.
· Custo para o Sócio: Será retido na fonte ou deduzido do valor bruto 11% de INSS e o IR de acordo com a tabela progressiva da Receita Federal.
OBS: Pró-labores acima de R$ 1.903,98 possuem desconto de IR na fonte, aumentando o custo mensal. Você pode conferir quais são as faixas na Tabela do IR.

Plano de Saúde pago pela empresa aos sócios é considerado salário contribuição?
De certo modo, sim. Não é proibida a contratação de plano de saúde por empresa para os sócios, mas este valor deverá integrar a base de cálculo do INSS do pró-Labore, pois ele será considerado salário contribuição (Art.214, § 9º, INCISO XVI do Decreto 3.048/1999). A melhor opção para os casos em que existir a contratação de plano de saúde para os sócios pela empresa é que seja realizado o desconto integral no pagamento do pró-labore.

Posso antecipar Lucros ou Dividendos e retirar mensalmente?
A Distribuição de Lucros deve ser apurada e retirada anualmente; porém, é possível fazer a antecipação de lucros ou dividendos mensalmente, trimestralmente, ou conforme definição dos sócios no contrato social.

Quando o sócio quer antecipar este lucro, deve-se calcular lucro da empresa até o mês que está sendo realizada a antecipação e transferir da conta corrente da empresa para a conta corrente do sócio, proporcional a participação no capital social.
A distribuição de lucros é isenta de imposto de renda quando for comprovada através da contabilidade regular, ou seja, com toda movimentação financeira contabilizada. (Lei 9.249/95 – Art.10)

Reforçando: esse valor você poderá transferir diretamente para a sua conta de Pessoa Física, lembrando apenas que também deve fazer o registro dessa movimentação mensalmente como distribuição/antecipação de lucros.

Quando você retira dinheiro como distribuição de lucros, não precisa pagar nenhum imposto sobre ele pela empresa – porque, afinal de contas, você já pagou todas as despesas e impostos da empresa, certo?
Mas para poder fazer a antecipação dos lucros sua empresa deve estar com todos os registros completos, ou seja, com a movimentação financeira, custos e despesas, receitas e qualquer movimentação realizada pela empresa, caso contrário a distribuição do lucro será tributada. Além disso, você necessita ter pago todas as obrigações da sua empresa, inclusive o pró-Labore, e todos os impostos, estar sem nenhum débito tributário.
Por isso é importante saber que você só pode distribuir lucro após ter feito o cadastro e pagamento do pró-labore, pois o pagamento da guia GPS é considerada uma obrigação!

Conclusão
A retirada do pró-labore é obrigatória, mas não tem um valor definido – existindo apenas o piso de um salário mínimo nacional. O sócio-administrador deve retirá-lo independentemente da distribuição dos lucros, que é um valor de retirada relativo ao capital social, enquanto o pró labore é a remuneração pelo trabalho mensal. Manter o controle destas retiradas em dia é muito importante não só para a saúde da sua empresa, mas do seu CPF também!