Conheça o open banking e como ele pode impactar na vida do empreendedor

15/08/2021
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Segunda fase da medida prevê compartilhamento de dados dos clientes entre instituições financeiras

A segunda e mais importante etapa do chamado open banking – ou sistema financeiro aberto, em livre tradução do inglês – começou a operar no País no último dia 13. O novo modelo permite que os clientes possam, caso autorizem, compartilhamento de seus dados cadastrais entre diferentes financeiras autorizadas pelo Banco Central, tudo de forma digital.

Até então a possibilidade de compartilhamento de dados não existia, ficando as informações restritas ao banco ou fintech de origem do cliente. No entanto, a nova medida permite que todo o histórico financeiro de um consumidor, seja ele Pessoa Física (PF) ou Pessoa Jurídica (PJ), construído ao longo de anos, estará disponível à todas as instituições financeiras. 

Dentro desse contexto, ao permitir que outros bancos acessem seus dados cadastrais, o que inclui nome completo, CPF/CNPJ, telefone, endereço e informações de transações relativas aos produtos e serviços de suas contas, o cliente poderá ter acesso a ofertas mais atrativas de crédito. A iniciativa irá acirrar ainda mais a concorrência entre as instituições financeira, e deve contribuir, consequentemente para a redução de custos bancários, segundo estimativa da FecomércioSP.

Na fase 1, a qual teve início em fevereiro deste ano, quando ocorreu a abertura dos dados das instituições participantes, seus canais de atendimento e os produtos e serviços que oferecem, o que inclui contas de depósito à vista, poupança, pagamento e operações de crédito. No entanto, essa etapa ainda não envolvia o compartilhamento de dados de clientes, o que está ocorrendo a partir de agora.

E para minha empresa, quais sãos as vantagens?

Na prática o open banking possibilita que o empreendedor tenha maior controle sobre as finanças de seu negócio, tendo em vista que ele poderá conhecer novas soluções de crédito, investimentos e outros produtos, ele terá mais assertividade na hora da decisão. Ao comparar as opções e condições disponíveis no mercado, ele poderá melhorar o fluxo de recursos, e dessa maneira manter um relacionamento diversificado com instituições que oferecerem as condições mais adequadas ao seu empreendimento.

Além disso, a expectativa é de que o empreendedor tenha menos burocracia e taxas de juros menores para a antecipação de recebíveis, levando em conta que o mercado passa a dispor de mais ofertas de crédito. Esse e um dos pontos mais relevantes para os empreendedores que precisam de recursos imediatos para o fluxo de caixa. Com o open banking, o empresário poderá evitar a contratação de outras modalidades de crédito ou, até mesmo, utilizar o cheque especial.

Ainda sobre a redução de burocracia, com o open banking a etapa de análise do tempo de abertura de conta para liberação de determinados produtos e serviços, deve ser eliminada – o que passa a contar mesmo é o histórico financeiro do cliente, o qual estará disponível para as demais instituições autorizadas. Com o compartilhamento de dados, as instituições poderão realizar uma análise mais criteriosa, o que deve contribuir para a diminuição do spread bancário – diferença entre o custo que o banco paga para captar recursos e o quanto ele cobra nas operações de crédito feitas pelas empresas.

A medida, que tem regulação do Banco Central, trabalha por meio de APIs (interfaces de programação de aplicações), as quais fazem a conexão entre as instituições participantes e permitem a troca de informações entre elas de uma maneira padronizada. Cabe salientar que é obrigatória a participação dos grandes e médios bancos brasileiros classificados no segmento S1 – porte igual ou superior a 10% do Produto Interno Bruto, ou que exerçam atividade internacional, e do segmento S2 (porte inferior a 10% e igual ou superior a 1% do PIB. Para as demais instituições, a participação é facultativa. 

E o que vem pela frente agora?

A nova fase, a terceira de um total de 4, passa a vigorar em 30 de agosto, com o início dos pagamentos e propostas de crédito. A partir desta data, por meio de um aplicativo único, os clientes poderão realizar transações de pagamento e encaminhamento de proposta de operação de crédito em diferentes instituições. Nesta etapa o cliente poderá realizar uma transação de pagamento em sua conta sem a necessidade de acessar o ambiente da instituição financeira – home banking ou aplicativo. Essa fase ainda prevê o envio e contratação de propostas de crédito de outras instituições.

A etapa seguinte (4), marcada para 15 de dezembro, envolve informações relativas a seguros, previdência, investimentos e câmbio. Depois dessa data, dados sobre estes outros serviços financeiros passam a compor a estrutura do open banking. Dessa forma, os clientes que autorizarem podem compartilhar informações desses produtos/serviços, o que inclui ainda conta-salário e previdência complementar. 

Também está previsto um cronograma para o próximo, quando outras funcionalidades deverão ser liberadas gradualmente. Estas, por sua vez, incluem compartilhamento de serviços financeiros, como transferências, pagamentos por boleto, previdência, investimentos e câmbio. A conclusão deve ocorrer apenas no final de setembro de 2022 com o compartilhamento de serviços de débito em conta. Por último cabe ressaltar que não será cobrado nenhum valor do cliente pelo compartilhamento dos dados, e ao cliente é permitido cancelar a autorização quando desejar.

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